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CLASSE C SABE POUCO SOBRE O MINHA CASA, MINHA VIDA


03.02.2011



Apenas um terço dos brasileiros pertencentes à classe C conhece o programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, que fornece subsídio ao público de baixa renda para compra de imóveis no valor de até R$ 170 mil. Pesquisa da Quórum Brasil aponta ainda que o apartamento é o preferido desse estrato da população.

Foram entrevistados 600 homens e mulheres, entre 25 e 30 anos, que procuram um imóvel para comprar na cidade de São Paulo. A renda familiar dos entrevistados varia de R$ 1.200 a R$ 2.500.

Quando perguntados se sabiam da possibilidade de comprar imóvel com subsídio do programa social, apenas 28% responderam que sim. E apenas fatia de 38% disseram que conhecia o Minha Casa. A Caixa Econômica Federal foi a instituição citada por 88% dos entrevistados como opção para contratar o financiamento.

O sócio diretor da Quórum, Cláudio Silveira, acredita que a pouca divulgação do Minha Casa, Minha Vida seja responsável pela desinformação dos compradores. "Como o recurso do governo para esse plano é limitado, não se quer correr o risco de que a demanda seja tão superior à oferta. É isso que realmente acontece."

REGIÃO - Segundo o executivo da empresa de pesquisa, o alto custo do metro quadrado na Capital motiva a classe C a comprar os imóveis mais afastados do centro. Entretanto, Silveira observa que muitas famílias estão migrando para a região metropolitana de São Paulo, onde os preços são mais em conta.

"A proximidade do Grande ABC com São Paulo faz com que a região seja destino de muitas famílias paulistanas." Por enquanto, o programa do governo federal tem atuação muito tímida na região, estando restrito a poucas opções em Diadema e Santo André. No caso da cidade andreense, já foi, inclusive, firmado acordo com a Caixa. O aumento no valor dos imóveis, como anunciou ontem o governo, deverá impulsionar o acesso ao programa na região.

Faltam produtos para baixa renda no mercado

A classe D está se preparando para ingressar no mercado imobiliário, entretanto, o setor ainda está carente de produtos que atendam as necessidades desse estrato da população. São aproximadamente 66 milhões de pessoas com ganhos de até três salários-mínimos no País.

O preço do imóvel determinado para atender essa faixa social é de até R$ 52 mil. Como os preços dos terrenos ainda são altos, inclusive no Grande ABC, o segmento não é atrativo para as construtoras devido à margem de lucro extremamente baixa.

Neste momento, o foco das empresas de construção civil no País são as famílias da chamada nova classe média, cujos imóveis podem oscilar, dependendo da localização, de R$ 130 a R$ 400 mil.

Por enquanto, as famílias com renda de até três salários são atendidas por projetos sociais encabeçados pelas prefeituras e governo estadual com habitações populares erguidas pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).

Preço do imóvel é fator mais importante na hora da compra

O valor do apartamento é fator decisivo para a assinatura do contrato pelos paulistanos da classe C. Na sondagem realizada, 42% dizem que este é o principal critério para a aquisição do bem.

A localização do empreendimento aparece em segundo lugar (29%), seguido por tamanho do imóvel (16%). Já o prazo de pagamento e período para entrega do imóvel foram citados por 9% e 4% das pessoas questionadas, respectivamente.

O sócio diretor da empresa de pesquisa Quórum Brasil, Cláudio Silveira, constata que a principal dificuldade para quem procura realizar o sonho da casa própria é o preço, que torna-se empecilho para 41% dos 600 entrevistados na pesquisa.

"A falta de hábito de poupar dinheiro tornou-se uma dificuldade para os consumidores da nova classe média. Muitos não têm reserva suficiente para dar entrada ao adquirir o apartamento, por isso algumas construtoras parcelam o valor em até 24 vezes."

PRAZO - Para que o valor das prestações caiba no orçamento, as famílias estão optando cada vez mais por financiamentos mais longos. Sessenta e dois por cento dos paulistanos da classe C levam de 21 a 30 anos para quitar o imóvel adquirido.

Há dez anos o tempo médio para pagar a casa própria era de 15 anos. Para adquirir um imóvel avaliado em R$ 65 mil era necessário comprovar renda familiar de sete salários-mínimos e os juros eram superiores a 12% ao ano.

Em 2008, o cenário facilitava a vida do consumidor. A rendimento médio exigido era de quatro salários e os juros estavam na casa de 8% ao ano, com prazo de pagamento de 30 anos.

"Esse histórico fez com que a demanda por imóveis nas classes emergentes ficasse tão reprimida por anos", diz Silveira. Ele acrescenta que o nível de poupança no Brasil ainda é muito baixo.

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