O presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), José Júlio Díaz Cabricano, abriu seu segundo mandato em 2026 destacando as grandes incertezas que rondam o setor da construção civil diante da Reforma Tributária em fase de testes no país. A declaração aconteceu em meio a uma ampla entrevista sobre o cenário econômico e as perspectivas do mercado imobiliário na região do Grande ABC.
Cenário econômico e mercado imobiliário em 2025
Apesar de um desempenho geral positivo em 2025, com crescimento no volume de lançamentos e no Valor Geral de Vendas (VGV), o mercado imobiliário da região começou a sentir o impacto da alta da taxa de juros a partir de setembro, o que dificultou a compra de imóveis na faixa de R$ 450 mil a R$ 500 mil. Segundo Cabricano, muitos compradores têm capacidade de entrada, mas enfrentam barreiras na hora de financiar o saldo devido ao encarecimento do crédito.
Programas governamentais que limitam taxas de juros a 12% ao ano devem ajudar a classe média a continuar acessando a casa própria, mas o segmento de médio padrão ainda sofre com a alta da Selic, que estava em 15% ao ano no início de 2026.
O maior desafio: Reforma Tributária
A grande preocupação de Cabricano — e de diversos representantes do setor — está na forma como a Reforma Tributária vai impactar toda a cadeia produtiva da construção civil. A reforma, que está em fase de testes em 2026, substitui tributos antigos por um sistema de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), com partes estadual/municipal (CDC) e federal (IBC).
O problema principal é que o setor trabalha com projetos que podem levar quatro ou cinco anos até a entrega das unidades, o que dificulta a previsão de quanto será possível creditar dos impostos pagos ao longo da cadeia. Sem essa clareza, a expectativa é de que as empresas possam ser obrigadas a aumentar preços para manter resultados, algo que pode impactar fortemente o consumidor final.
Especialistas e líderes da indústria também reforçam que a transição exige adaptação cuidadosa das empresas e mudanças na forma de administrar os tributos — mas ainda há dúvidas sobre como isso vai acontecer na prática e que impacto terá no custo final dos imóveis.
Outros desafios do setor
Além das incertezas tributárias, a construção civil enfrenta desafios de falta de mão de obra especializada, com médias de idade elevadas nos canteiros e dificuldades para atrair jovens profissionais, mesmo com salários maiores. Essa escassez tem reduzido a eficiência das obras, atrasando prazos e impactando custos.
Perspectivas para 2026
Para este ano, Cabricano observa que:
- Segmentos econômicos e programas com juros subsidiados devem continuar fortes;
- Médio padrão pode sofrer até que ocorra redução efetiva da Selic;
- Reforma Tributária será um “período de aprendizado” essencial para definir os rumos do setor.
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