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PREÇOS DOS IMÓVEIS CAEM PELO SEGUNDO ANO SEGUIDO

04.01.2017




 



O aumento do desemprego e a consequente redução da renda das famílias fazem com que a procura por imóveis novos desacelere, e os preços das unidades residenciais diminuam pelo segundo ano consecutivo no Grande ABC. Isso é o que aponta o índice FipeZap, mensurado a partir de pesquisa feita em parceria entre a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e o ZAP Imóveis e divulgado ontem.

O levantamento acompanha os valores de imóveis anunciados na internet em 20 cidades, sendo três da região: Santo André, São Bernardo e São Caetano. Nelas houve variação nominal (sem descontar a inflação) positiva de 2015 para 2016. O valor do metro quadrado dos imóveis chegou a R$ 5.243 em Santo André (alta de 2,08%), R$ 4.899 em São Bernardo (+0,40%) e R$ 5.978 em São Caetano (+2,25%). Na média brasileira, o custo ficou em R$ 7.662 (+0,57%).

Entretanto, se for descontada a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses – estimada em 6,40%, pois a divulgação do indicador oficial será realizada no dia 10 –, que corrói o poder de compra, houve redução nos preços de venda de 4,06% em Santo André, 5,64% em São Bernardo e 3,9% em São Caetano. No País, a queda real atinge 5,48%.

Em 2015, a maior redução ocorreu em São Bernardo, de - 6,89% (R$ 4.754), seguida por São Caetano, em 6,45% (R$ 5.831) e Santo André, de 5,56% (R$ 5.107). À época, no entanto, a inflação estava maior, com previsão de encerrar o ano em 10,72% – a projeção ficou bem próxima à realidade, já que o IPCA atingiu 10,67%.

O metro quadrado mais caro do Brasil está no Rio de Janeiro, com valor de R$ 10.214, seguido por São Paulo (R$ 8.641) e Distrito Federal (R$ 8.497). Na outra ponta, é mais barato comprar imóvel em Contagem (Minas Gerais) com R$ 3.603 o metro e em Goiânia (Goiás), a R$ 4.097.

No ranking das 20 cidades, São Caetano figura como o oitavo metro quadrado mais caro do País. Santo André vem em 14º lugar e, São Bernardo, em 16º.

Na avaliação de Eduardo Zylberstajn, coordenador do FipeZap, as dificuldades da economia fazem com que a oferta cresça, já que as pessoas precisam se desfazer de seus bens, frente ao aumento do desemprego e da diminuição da renda, a fim de gerar recursos. Mas, ao mesmo tempo, a demanda diminui. “O preço do metro quadrado está muito acima do que o brasileiro pode pagar, por isso, diante dessa situação, ele adia a compra da casa própria, ou a troca do imóvel por outro maior.”

DIFICULDADE - O gerente de vendas da Gonçalves Imóveis, Denner Santiago Lima, concorda que a desvalorização do preços é consequência do atual momento de recessão econômica que o Brasil vive, com muita gente sem trabalho e juros exorbitantes. Ele também alerta, porém, que a falta de flexibilidade de alguns clientes é grande empecilho na hora de vender. “Em alguns casos, por exemplo, em que o proprietário perdeu o emprego e tem mais urgência na venda, é claro que vai vender o imóvel de R$ 400 mil por R$ 350 mil. Mas, em outros, em que o valor da unidade é maior, é preciso ter paciência. O mercado instável dos dias de hoje não permite muitas loucuras como antigamente, ainda mais se o preço segue elevado”, diz, referindo-se aos financiamentos de longo prazo, em que se levam décadas para quitar o imóvel.

Tanto que, neste cenário de ‘vacas magras’, quem ganhou força foram os imóveis com valores de até R$ 300 mil. “A procura por unidades nesta faixa cresceu 50% em relação à daqueles considerados de alto padrão. Quanto mais alto o valor do imóvel, maior é a perda no momento de vender, pois dificilmente alguém vai conseguir comercializar pelo mesmo valor que pagou”, assinala Lima.

OPORTUNIDADE - Eduardo Bronetti, consultor imobiliário da Donizete Imóveis, acredita que o cenário vai melhorar em 2017, mesmo que seja a passos lentos. Para ele, a medida do governo que permitirá o saque das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) dos trabalhadores que pediram demissão até dezembro de 2015, ou que foram dispensados sem justa causa, no mesmo período, pode aquecer o ramo neste ano. “Não vai mudar repentinamente, mas acredito que vai agregar bastante, já que as pessoas terão acesso a renda extra. O jeito, portanto, será baixar os preços para vender o mais rápido possível”.

Em fevereiro, a Caixa Econômica Federal vai divulgar o cronograma das retiradas das contas inativas, que vai até 31 de dezembro, para qualquer finalidade. Para Bronetti, o imóvel ainda é um dos investimentos mais seguros.

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